O mercado de trabalho contemporâneo não está favorável para os jovens e idosos.
O mercado de trabalho apresenta dificuldades para pessoas de todas as faixas etárias. Houve tempo no qual, com o mercado em velocidade menor, as coisas eram mais bem encaixadas. Agora em tempos de produtividade total e exigências de formação permanente e continuada leva o mercado a um ponto de quase colapso, para uns o fato de saber demais, para outros o fato de saber menos. É uma situação que está deixando muita gente na corda bamba.
Mas, nas duas pontas da linha do tempo as dificuldades são maiores.
A inexperiência cobra dos jovens os erros cometidos nos programas de formação. A experiência demais deixa os responsáveis pelo RH com medo de serem eles os substituídos. Refletem-se fortemente os erros dos programas de formação e a escola, definitivamente, não forma o que o mercado precisa.
A pessoa pode estar iniciando a procura de um primeiro trabalho. Pode acontecer que tenha sido aposentado por tempo de trabalho. As dificuldades da primeira colocação profissional e recolocação de pessoas da terceira idade que, por eufemismo (a troca de expressões rudes por outras menos agressivas ou rudes) são tratadas como pessoas que estão na melhor idade, tornam-se maiores.
Em primeiro lugar está a competitividade levada a extremos. Ela transforma alguns ambientes de trabalho em verdadeiras arenas. Em segundo lugar, uma série de exigências que patrões fazem na tentativa de diminuir a carga de impostos. Soma-se a isto a proposta de conseguir melhores recursos com menores gastos que podem levar as pessoas a situações degradantes de trabalho.
As duas pontas apresentam um problema comum. A necessidade de formação. Para o candidato ao primeiro emprego, sobra energia que falta para os profissionais em final de carreira, para desenvolver programas de formação permanente e continuada. Para os mais idosos, sobra experiência que falta nos mais jovens. São desafios colocados no caminho de quem entra e quem está de saída no mercado de trabalho.
Um paradoxo para os jovens, a contraposição entre a necessidade de investimento para ser qualificado e por outro lado a perda de oportunidades para pessoas que não tem a experiência. Desta forma como esta experiência exigida poderá ser obtida?
Ao invés de estarem colocadas frente a frente, elas deveriam estar colocadas lado a lado como um motor a puxar o carro para frente, com potência cada vez maior, em um caminho que, se está aberto, coloca exigências que não podem ser cumpridas. A experiência somente se obtém com a prática.
Os programas governamentais existem mas as oportunidades criadas são insuficientes para atender uma demanda crescente nas duas pontas da linha. Quando recebem o espaço desejado estes profissionais, como forma de reconhecimento ao respeito profissional ao conhecimento adquirido ou de agradecer a uma oportunidade de que ele seja adquirido costumam dar uma resposta à altura, com desempenho positivo.
Como o estado faliu, os capitalistas deixam cada vez mais longe as iniciativas sociais, sobrou para o terceiro setor a responsabilidade de propor e implantar programas de colocação e recolocação profissional.
Assim o registro do número de jovens que levam os pais a uma jornada de hora extra no cuidados dos filhos aumenta e as pessoas mais velhas a se tornarem um peso para as famílias, ainda que tenham condições de trabalho. É um problema social que pode ser agravado com a evolução tecnológica (veja o caso da preocupação com o emprego de robôs para o desenvolvimento de atividades laborais).
A superação destas barreiras e dificuldades chama ações de um empreendedorismo inovador que poderá encontrar, em empresas voltadas para o terceiro setor, a colocar a força de capacidade de trabalho destas pessoas. É um convite que pode ser atendido por empresas instadas a desenvolver atividades de autoridade e responsabilidade social no mercado. O convite está aberto e o campo é promissor.

