Mais de 100 mil famílias são afetadas pela seca no Amazonas; 40 cidades estão em emergência
Boletim da Defesa Civil aponta 101.084 famílias afetadas pela seca; governo amplia ações de combate às queimadas, fiscalização ambiental e monitoramento em diferentes regiões do estado
REDAÇÃO – A estiagem no Amazonas já afeta 101.084 famílias e mantém 40 municípios em situação de emergência. Os dados foram divulgados neste domingo (18) pelo Governo do Amazonas, por meio do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec), que apresentou um novo balanço dos impactos da seca e das ações de resposta desenvolvidas no estado.
De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, além das 40 cidades em emergência, outros 17 municípios estão em situação de alerta e cinco permanecem em atenção. Nenhuma das 62 cidades amazonenses apresenta situação de normalidade em relação à estiagem.
O levantamento considera informações dos sistemas de monitoramento ambiental e das ações realizadas para atender a população afetada pelos eventos climáticos.
Quarenta municípios estão em situação de emergência
Conforme o boletim, os municípios classificados em situação de emergência são Alvarães, Amaturá, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
Outros 17 municípios estão em alerta: Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Humaitá, Japurá, Manicoré, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
Já Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga estão classificados em situação de atenção.
Bombeiros combatem mais de 22 mil focos de incêndio
Além dos impactos da estiagem, o Amazonas enfrenta ocorrências de incêndios urbanos e florestais. Entre 1º de junho e 17 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou 3.748 ocorrências relacionadas a incêndios.
No mesmo período, as equipes combateram 22.974 focos de incêndio, sendo 4.668 em Manaus e 18.306 no interior do estado.
Segundo o governo, aproximadamente 1,5 mil profissionais atuam nas operações, incluindo bombeiros militares, brigadistas municipais e agentes federais. As equipes estão distribuídas em 36 municípios e contam com 96 viaturas.
O Governo Federal também anunciou o envio de reforços, incluindo integrantes das Forças Armadas, agentes da Força Nacional e outros 153 brigadistas do Programa Floresta em Pé.
Com a ampliação da estrutura operacional, o número de aeronaves mobilizadas deverá passar de 11 para 16, incluindo aviões Air Tractor, KC-390 e helicópteros.
Polícia prende 11 suspeitos de crimes ambientais em Autazes
As ações de enfrentamento às queimadas também contam com a participação da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), que mobilizou aproximadamente 100 policiais do Comando de Policiamento Especializado e 25 viaturas para atuar em regiões com maior incidência de incêndios.
No sábado (17), 11 pessoas foram presas no município de Autazes, suspeitas de envolvimento em crimes ambientais.
Paralelamente, operações de fiscalização ambiental estão sendo realizadas em diferentes regiões do estado.
A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Operação Amazonas+Verde desenvolve atividades de combate a incêndios em 33 cidades.
Já a Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso irregular do fogo, utilizando drones e viaturas equipadas com conexão à internet via satélite.
Amazonas registra mais de 8 mil focos de calor
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Amazonas registrou 8.165 focos de calor até 18 de outubro.
Diante desse cenário, o Governo do Amazonas estabeleceu, por meio do Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro, um período de 120 dias de restrição ao uso do fogo em todo o território estadual, respeitadas as exceções previstas na legislação.
Outra medida foi a instituição do Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas, por meio do Decreto nº 55.338, que estabelece ações para reduzir a degradação florestal.
O governo também declarou situação de emergência por 180 dias em razão dos impactos da estiagem e dos incêndios florestais.
O Decreto nº 55.751, publicado em 10 de outubro, contempla 36 municípios afetados por incêndios. Já o Decreto nº 55.486, de 21 de setembro, estabeleceu situação de emergência em todo o Amazonas devido à estiagem agravada pelo fenômeno El Niño.
Fiscalização ambiental ultrapassa R$ 167 milhões em multas
As ações de fiscalização realizadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) resultaram na aplicação de mais de R$ 167 milhões em multas até meados de outubro.
O órgão também realizou 421 embargos ambientais, abrangendo uma área superior a 65 mil hectares.
As operações utilizam imagens de satélite, drones equipados com câmeras térmicas e sistemas de comunicação via Starlink para identificar focos de incêndio e possíveis infrações ambientais.
Entre os equipamentos empregados está o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) Harpia, utilizado no monitoramento de áreas de difícil acesso.
O Corpo de Bombeiros também ampliou sua estrutura no interior, passando de 11 para 25 bases permanentes.
Na área policial, a Polícia Civil do Amazonas registrou, durante setembro, 66 boletins de ocorrência relacionados a incêndios e 151 envolvendo desmatamento.
Ações preventivas alcançam mais de 43 mil pessoas
Além das operações de combate e fiscalização, o governo desenvolve atividades de educação ambiental e prevenção.
Entre junho e agosto de 2026, mais de 43 mil pessoas participaram de ações educativas voltadas à conscientização sobre queimadas, preservação ambiental e riscos associados ao uso irregular do fogo.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Ipaam também utilizam informações de monitoramento por satélite para direcionar as equipes de fiscalização às áreas consideradas prioritárias.
As medidas integram a estratégia estadual de enfrentamento à estiagem, aos incêndios florestais e aos impactos ambientais registrados no Amazonas.

