Cozinheira perde R$ 80 mil em 2 meses em cassinos on-line

“Acordava de madrugada para jogar. Ganhava, mas rapidamente a ganância me dominava e eu não parava até perder tudo”

Patrícia é uma cozinheira autônoma que começou a jogar em cassinos online para se divertir e passar o tempo. Em pouco tempo, ela passou a apostar altas quantias no “jogo do foguetinho”.

“Acordava de madrugada para jogar. Ganhava, mas rapidamente a ganância me dominava e eu não parava até perder tudo”, comentou Patrícia sobre.

Patrícia é casada, tem quatro filhos e um neto. Relata que nunca apreciou apostas devido a um trauma familiar, pois um irmão perdeu quase tudo em jogos. No entanto, sua perspectiva sobre os jogos começou a mudar no final de 2020.

Outra vítima foi uma advogada que perdeu o equivalente a R$100 mil em um ano após ser introduzida a um jogo, por influência de uma influenciadora digital.

Esses são apenas alguns dos muitos relatos de brasileiros que enfrentam problemas com dependência em jogos de azar. Em uma comunidade online, cerca de 500 pessoas se reúnem para desabafar e buscar apoio na tentativa de parar de perder dinheiro e retomar o controle de suas vidas.

Duas mulheres que perderam altos valores em apostas online compartilharam suas histórias, com o objetivo de alertar outras pessoas sobre os riscos da dependência.

Ludomania

A alta dependência nos jogos, se torna uma doença chamada de “jogo patológico” ou “ludomania”, mais popularmente conhecido como “vício em jogar”, que se refere ao comportamento de persistir em jogar recorrentemente.

A doença afetada por vício pode ser diagnosticada por profissionais de saúde mental, que avaliam sintomas como a incapacidade de controlar o impulso de jogar, mentir sobre a extensão do problema e a utilização do jogo como uma forma de escapar de problemas ou aliviar.

Sobre os jogos 

Os jogos mencionados são do tipo caça-níquel online, autorizados no Brasil pela Lei 14.790/2023, que regulamenta as plataformas de apostas esportivas. Contudo, esses jogos diferem das apostas esportivas que envolvem o desempenho de atletas reais.

Segundo a lei sancionada, menores de 18 anos não podem participar dessas apostas. Também é proibida a participação de pessoas diagnosticadas com ludopatia, a compulsão por jogos de azar.

A lei permite que esse tipo de jogo de resultado aleatório seja oferecido exclusivamente online, proibindo a instalação de máquinas físicas e a veiculação de “afirmações infundadas” sobre as chances de ganhar.