Ministério Público intensifica ações para punir responsáveis por queimadas no Amazonas

Ibama encaminhará autos de infração ao Ministério Público para auxiliar investigações e possíveis ações penais contra responsáveis por incêndios ilegais em Manaus e no interior do estado

Manaus (AM) – O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e órgãos estaduais e federais definiram, neste sábado (17), medidas para intensificar a investigação e a responsabilização criminal de pessoas suspeitas de provocar queimadas ilegais no Amazonas. A articulação ocorreu durante uma reunião interinstitucional realizada no fim da tarde, em meio aos elevados índices de poluição atmosférica registrados na capital e em municípios da região metropolitana.

Entre os principais encaminhamentos está o compromisso do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de encaminhar ao Ministério Público os autos de infração produzidos durante as fiscalizações ambientais.

A documentação deverá auxiliar na identificação de possíveis responsáveis por incêndios ilegais e subsidiar a avaliação de medidas judiciais, incluindo o eventual ajuizamento de ações penais.

Ibama vai compartilhar autos de infração com o Ministério Público

A cooperação busca integrar as informações obtidas durante as fiscalizações ambientais aos procedimentos investigativos conduzidos pelas instituições responsáveis pela apuração de crimes.

Com o recebimento dos documentos, o MPAM poderá examinar os registros das infrações, identificar possíveis elementos de responsabilidade criminal e avaliar as providências legais aplicáveis a cada ocorrência.

A existência de um auto de infração ambiental, entretanto, não representa automaticamente a comprovação de um crime. A responsabilização penal dependerá da análise das provas, da identificação dos envolvidos e dos procedimentos previstos na legislação.

A reunião foi convocada pela procuradora-geral de Justiça do Amazonas, Leda Mara Nascimento Albuquerque, com o objetivo de estabelecer mecanismos de cooperação entre as instituições diante do avanço dos incêndios florestais.

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Participaram representantes do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal (PF), do Ibama, da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), do Núcleo de Atuação Extraordinária Ambiental (NAE-Ambiental), da Corregedoria-Geral do MPAM e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), entre outros órgãos.

Onze aeronaves são utilizadas no combate aos incêndios

Durante o encontro, representantes do Ibama apresentaram informações sobre as medidas adotadas pelo governo federal para enfrentar os incêndios florestais no Amazonas.

Entre as ações mencionadas está a disponibilização de 11 aeronaves para apoiar as operações de combate às queimadas na capital e nos municípios do interior.

O MPAM também colocou à disposição das instituições o Monitor do Fogo, ferramenta utilizada para acompanhar focos de calor e identificar áreas atingidas por incêndios.

O sistema poderá contribuir para orientar fiscalizações, identificar regiões com maior concentração de ocorrências e fornecer informações que auxiliem na investigação de possíveis crimes ambientais.

A proposta é integrar os dados de monitoramento às informações obtidas pelas equipes de fiscalização e pelas forças policiais.

Promotorias de Justiça acompanham queimadas em 61 municípios

Segundo o Ministério Público do Amazonas, as ações de acompanhamento da situação ambiental começaram no início de agosto.

Desde então, promotorias de Justiça dos 61 municípios do interior vêm instaurando procedimentos administrativos e notícias de fato para verificar possíveis irregularidades relacionadas às queimadas.

As atividades também incluem reuniões com representantes do Governo do Amazonas, prefeituras e instituições responsáveis pela fiscalização ambiental.

O objetivo é acompanhar as medidas adotadas pelo poder público, identificar eventuais responsabilidades e fortalecer a atuação das instituições nos municípios afetados.

Na semana passada, o MPAM também lançou uma campanha de conscientização para incentivar a população a denunciar crimes ambientais.

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As denúncias podem ser encaminhadas ao Ministério Público por meio do Disque 127.

Ministério Público e forças policiais vão ampliar cooperação

Durante a reunião, a procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque, destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições estaduais e federais para enfrentar os incêndios ilegais.

A articulação prevê o compartilhamento de informações e a adoção de medidas voltadas à identificação e à responsabilização dos possíveis autores.

A corregedora-geral do MPAM, Silvana Nobre, também ressaltou a necessidade de ampliar o diálogo com os órgãos federais para acompanhar as ações em andamento e fortalecer a cooperação institucional.

O trabalho deverá envolver o MPAM, o Ministério Público Federal e as forças policiais, respeitando as atribuições legais de cada instituição.

Crise das queimadas aumenta pressão por fiscalização no Amazonas

A mobilização ocorre em um período de intensificação dos incêndios florestais e de comprometimento da qualidade do ar em diferentes regiões do Amazonas.

Em Manaus, a presença de fumaça tem provocado preocupação devido aos efeitos da poluição atmosférica sobre a população, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Além das operações de combate direto às chamas, os órgãos públicos buscam ampliar a fiscalização e a investigação de incêndios provocados de maneira ilegal.

Com o encaminhamento dos autos de infração do Ibama, o Ministério Público deverá avaliar os elementos reunidos e verificar a possibilidade de adoção de medidas criminais contra os responsáveis.

As instituições também deverão manter o intercâmbio de informações para acompanhar as ocorrências registradas em Manaus e nos municípios do interior.