Amazonas enfrenta estiagem com 160 mil famílias afetadas e qualidade do ar preocupante

Boletim da Defesa Civil aponta 47 municípios em situação de emergência e outros 15 em alerta; queimadas comprometem a qualidade do ar em diferentes regiões do estado

Manaus (AM) – A estiagem no Amazonas já afeta 160.240 famílias e mantém 47 municípios em situação de emergência, segundo boletim divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Governo do Estado, por meio do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais. O levantamento também aponta o agravamento da qualidade do ar em diversas localidades, com destaque para Parintins, onde a concentração de poluentes atingiu o nível considerado severo.

Além dos municípios em emergência, outras 15 cidades amazonenses estão em situação de alerta. O monitoramento é realizado pela Defesa Civil do Amazonas, que acompanha os níveis dos rios, os impactos da seca e as condições atmosféricas relacionadas aos incêndios florestais.

Estiagem coloca 47 municípios em emergência

De acordo com a Defesa Civil, os municípios em situação de emergência são Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.

Outros 15 municípios permanecem em alerta: Barcelos, Beruri, Canutama, Codajás, Fonte Boa, Guajará, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.

As classificações refletem os impactos da redução dos níveis dos rios e as dificuldades enfrentadas pelas populações que dependem do transporte fluvial e do abastecimento de água.

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Parintins registra qualidade do ar péssima

O Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (Cemoa) emitiu novos avisos na manhã desta sexta-feira (6), em razão dos efeitos dos incêndios florestais sobre a qualidade do ar.

Parintins apresentou a situação mais crítica, com classificação severa e qualidade do ar considerada péssima. O nível corresponde a concentrações de material particulado fino (MP2,5) superiores a 125 microgramas por metro cúbico, considerando um período de 24 horas.

Outros nove municípios receberam alerta de nível alto, com qualidade do ar variando entre ruim e muito ruim: Autazes, Boa Vista do Ramos, Itacoatiara, Itapiranga, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, São Sebastião do Uatumã e Silves.

Nessas localidades, as concentrações de MP2,5 ficaram na faixa de 50 a 125 microgramas por metro cúbico em 24 horas.

O nível moderado foi identificado em Alvarães, Barcelos, Boca do Acre, Borba, Careiro, Careiro da Várzea, Carauari, Humaitá, Japurá, Lábrea, Manaquiri, Manaus, Manicoré, Novo Airão, Novo Aripuanã, Pauini, Presidente Figueiredo, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga, Tapauá, Tefé e Uarini.

Os alertas emitidos pela Defesa Civil permanecem válidos até a manhã deste sábado (7).

Governo distribui alimentos e equipamentos para municípios atingidos

Como parte das medidas de enfrentamento à estiagem, o Governo do Amazonas enviou, em 27 de outubro, mais de 13 toneladas de alimentos aos municípios de Anamã e Rio Preto da Eva.

As duas localidades receberam, juntas, 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas-d’água com capacidade de 500 litros.

Com essas entregas, a primeira etapa da Operação Estiagem 2026 alcançou 15 municípios, totalizando 4.800 cestas básicas, equivalentes a aproximadamente 96 toneladas de alimentos.

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Também foram distribuídos 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas-d’água de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.

Segundo o governo estadual, novas ações de assistência serão realizadas conforme a evolução das condições dos rios e as necessidades apresentadas pelos municípios.

Mais de 24 mil focos de incêndio foram combatidos no Amazonas

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) informou que, entre 1º de junho e 5 de novembro, foram registradas 4.014 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.

No mesmo período, as equipes atuaram no combate a 24.578 focos de incêndio em todo o estado, sendo 4.767 na capital e 19.811 no interior.

As operações mobilizam aproximadamente 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, com apoio dos governos estadual e federal.

A estrutura aérea disponibilizada conta com 18 aeronaves, das quais 16 pertencem ao Governo Federal e duas ao Governo do Amazonas. Entre os equipamentos utilizados estão oito aeronaves Air Tractor, dois aviões KC-390 e oito helicópteros.

O Estado também reforçou as equipes de campo com a contratação de 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé.

Além do efetivo, foram disponibilizadas viaturas, picapes equipadas para combate a incêndios e equipamentos destinados às operações em áreas de difícil acesso.

Fiscalização ambiental aplica mais de R$ 190 milhões em multas

As ações de fiscalização ambiental também foram intensificadas durante o período de estiagem.

Segundo dados do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), entre 1º de julho e 5 de novembro de 2026, foram emitidos 743 autos de infração e aplicados 697 embargos.

As medidas resultaram em 78.793,45 hectares embargados e multas que somam R$ 190,7 milhões.

Entre as operações em andamento está a Tamoiotatá, que atua em 13 municípios com ações de fiscalização e repressão a irregularidades ambientais.

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A operação Amazonas+Verde desenvolve atividades de combate a incêndios em 33 municípios, enquanto a Alerta Fogo concentra esforços na identificação e fiscalização do uso ilegal do fogo.

As equipes utilizam drones e viaturas com acesso à internet via satélite Starlink para ampliar o monitoramento e permitir a aplicação de medidas administrativas em áreas fiscalizadas.

O Governo do Amazonas informou que o acompanhamento das condições climáticas, dos níveis dos rios e da qualidade do ar continuará durante o período de estiagem, com atualização dos alertas e das ações de resposta.

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