Amazonas registra mais de 4,3 mil focos de calor e intensifica combate às queimadas durante estiagem
Estado mobiliza cerca de mil bombeiros e brigadistas para enfrentar incêndios florestais; fumaça e temperaturas acima de 38°C também colocam municípios em alerta
Manaus (AM) – O Amazonas registrou 4.370 focos de calor entre 1º de setembro e 6 de outubro de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número foi divulgado em meio ao período de estiagem, marcado pelo aumento das temperaturas, ocorrência de queimadas e piora na qualidade do ar em diferentes regiões do estado.
Diante do cenário, o governador Roberto Cidade reuniu, nesta quinta-feira (8), representantes de órgãos estaduais para avaliar a situação e definir medidas de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios florestais.
Durante o encontro, o governador destacou a necessidade de ampliar o monitoramento das áreas de risco e reforçou a importância da participação da população para evitar novas ocorrências.
“Estamos empenhados em enfrentar esse período de estiagem e combater os incêndios, mas precisamos também da participação da população. Qualquer pequeno foco de incêndio pode causar um transtorno muito grande para o nosso estado”, afirmou.
As ações envolvem o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e outros órgãos responsáveis pelo acompanhamento das condições ambientais.
Cerca de mil profissionais atuam no combate aos incêndios
O Corpo de Bombeiros informou que aproximadamente mil servidores e brigadistas estão mobilizados na Operação Amazonas+Verde, desenvolvida em 33 municípios.
A operação reúne equipes especializadas em prevenção e combate a incêndios florestais, além de ações de monitoramento e resposta às ocorrências identificadas durante a estiagem.

A estrutura operacional também foi ampliada no interior do estado. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes do Corpo de Bombeiros passou de 11 para 25.
Além da expansão territorial, a corporação recebeu cinco viaturas específicas para o combate a incêndios florestais e uma aeronave especializada.
Nos últimos dias, o avião foi utilizado em operações nos municípios de Parintins, Iranduba, Itacoatiara e Manaus, auxiliando as equipes que atuam no controle das queimadas.
Maioria dos focos de calor foi registrada em áreas federais
Um levantamento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente aponta que 58,76% dos focos de calor identificados no Amazonas entre janeiro e setembro ocorreram em áreas sob responsabilidade federal, incluindo Terras Indígenas e Unidades de Conservação.
Outros 14,75% foram registrados em áreas estaduais, enquanto 26,5% ocorreram em regiões classificadas como vazios cartográficos.
Segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, 1.556 focos foram identificados em áreas pertencentes à União.
Como medida preventiva, o uso do fogo está proibido em todo o território amazonense pelo período de 120 dias, conforme estabelece o Decreto Estadual nº 55.339/2026.
A restrição busca reduzir a ocorrência de novos incêndios durante o período de seca, quando a vegetação fica mais suscetível à propagação das chamas.
Fumaça compromete qualidade do ar em municípios do Amazonas
Além dos focos de calor, a fumaça proveniente das queimadas tem afetado a qualidade do ar em diferentes regiões do estado.
Na noite de quarta-feira (7), a Defesa Civil emitiu um alerta indicando condições ruins ou muito ruins de qualidade do ar em dez municípios: Manaus, Novo Aripuanã, Novo Airão, Careiro, Iranduba, Careiro da Várzea, Maués, São Sebastião do Uatumã, Barreirinha e Parintins.
Nas localidades monitoradas, a concentração de partículas finas em suspensão, conhecidas como MP2,5, apresentou índices entre 50 e 125 microgramas por metro cúbico (µg/m³), considerando o período de 24 horas.

Essas partículas podem penetrar profundamente no sistema respiratório e representam riscos especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Nesta quinta-feira (8), um novo comunicado apontou qualidade do ar moderada em 14 municípios amazonenses, incluindo Apuí, Humaitá, Lábrea, Coari, Jutaí e Tapauá.
O alerta permanece válido até a manhã de sexta-feira (9).
Onda de calor pode elevar temperaturas acima de 38°C
A Defesa Civil também mantém um alerta de onda de calor válido até domingo (11), com previsão de temperaturas superiores a 38°C em Manaus e municípios da região metropolitana e do interior.
Entre as localidades que podem registrar temperaturas elevadas estão Presidente Figueiredo, Iranduba, Manacapuru, Itacoatiara, Autazes e Novo Airão.
A combinação entre calor intenso, baixa umidade e presença de fumaça pode aumentar os riscos à saúde, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.
As autoridades recomendam evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes, manter a hidratação e reduzir a exposição a ambientes com grande concentração de fumaça.
Também é recomendado que crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios permaneçam, sempre que possível, em locais protegidos da poluição.
População pode denunciar queimadas ilegais
As autoridades estaduais reforçam que a participação da população é importante para prevenir incêndios e permitir o atendimento rápido das ocorrências.
Em caso de focos de incêndio, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193.
Denúncias de queimadas ilegais podem ser encaminhadas ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), pelo WhatsApp (92) 98557-9454.
A Defesa Civil também disponibiliza atendimento pelo número 199, enquanto emergências médicas podem ser comunicadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192.
O monitoramento das condições ambientais continuará durante o período de estiagem, com ações de fiscalização e combate aos incêndios nas regiões consideradas de maior risco.

