Após 37 anos de atuação, Lima de Abreu anuncia fim das operações no transporte fluvial

Lima de Abreu Navegações anunciou o fechamento definitivo, alegando dificuldades econômicas e operacionais; acidente ocorrido em fevereiro deixou uma mulher morta e cinco pessoas desaparecidas

Manaus (AM) – A empresa Lima de Abreu Navegações LTDA anunciou, nesta quarta-feira (28), o encerramento definitivo de suas atividades comerciais no Amazonas, após 37 anos de atuação no transporte hidroviário. A companhia era responsável pela lancha Lima de Abreu XV, que naufragou no Encontro das Águas, em Manaus, no dia 13 de fevereiro de 2026.

O comunicado foi assinado pelo proprietário, Antônio Silva de Abreu, que atribuiu a decisão às dificuldades econômicas e operacionais enfrentadas pela empresa. Segundo a direção, as condições atuais tornaram inviável a continuidade dos serviços.

O anúncio ocorre pouco mais de oito meses após o naufrágio que provocou a morte de uma mulher e deixou cinco pessoas desaparecidas.

Empresa anuncia encerramento definitivo das operações

Na nota oficial, a Lima de Abreu Navegações destacou sua trajetória no transporte de passageiros e na ligação entre municípios do interior do Amazonas.

“Após 37 anos de uma trajetória marcada pelo compromisso com o transporte hidroviário, pela conexão entre pessoas e destinos e pela contribuição ao desenvolvimento regional, tomamos aquela que representa a decisão mais difícil de nossa história”, informou a empresa.

A companhia também declarou que o processo de encerramento será conduzido de acordo com as exigências legais, incluindo o cumprimento das obrigações trabalhistas.

O comunicado não detalhou a situação financeira da empresa nem informou se o naufrágio teve influência direta na decisão de encerrar as operações.

Naufrágio ocorreu durante viagem para Nova Olinda do Norte

O acidente aconteceu na tarde de 13 de fevereiro de 2026, quando a lancha Lima de Abreu XV realizava uma viagem entre Manaus e o município de Nova Olinda do Norte.

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Durante a travessia pela região do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram, a embarcação virou em meio a um banzeiro, deixando passageiros na água.

A ocorrência mobilizou uma operação de emergência envolvendo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), a Marinha do Brasil, a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Equipes de resgate e embarcações que estavam nas proximidades participaram do atendimento às vítimas.

Bebê de cinco dias foi resgatado após acidente

Entre os episódios registrados durante o naufrágio, um dos que tiveram maior repercussão foi o resgate de um recém-nascido de apenas cinco dias.

O bebê foi encontrado flutuando dentro de um cooler, utilizado para mantê-lo fora da água enquanto aguardava socorro.

Imagens e relatos de sobreviventes circularam nas redes sociais e mostraram momentos da operação de resgate, além das dificuldades enfrentadas pelos passageiros após a embarcação virar.

Na época, a Lima de Abreu Navegações informou que a lancha possuía documentação regular e atendia às normas estabelecidas pelas autoridades marítimas.

Buscas terminaram com cinco pessoas desaparecidas

As operações de busca pelas vítimas, que não haviam sido localizadas, continuaram por meses após o acidente.

Segundo as informações divulgadas, os trabalhos foram encerrados em 8 de julho de 2026, sem que cinco desaparecidos fossem encontrados.

O naufrágio resultou na confirmação da morte de uma mulher e mobilizou familiares, equipes de segurança e órgãos responsáveis pela fiscalização da navegação no Amazonas.

Com o anúncio desta quarta-feira, a Lima de Abreu Navegações encerra uma trajetória de 37 anos no transporte fluvial regional. A empresa informou que adotará os procedimentos necessários para concluir suas atividades comerciais.