Ciclone-bomba deixa feridos, desabrigados e milhares sem energia no Rio Grande do Sul

Fenômeno provocou estragos e interrupções de serviços no Rio Grande do Sul; frente fria associada ao sistema avança por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais

A passagem de um ciclone-bomba pelo Rio Grande do Sul deixou um morto, cinco feridos e provocou danos em pelo menos 118 municípios, segundo informações da Defesa Civil gaúcha. Durante o evento, cerca de 332 mil imóveis chegaram a ficar sem energia elétrica nas áreas atendidas por duas concessionárias.

O ciclone extratropical se deslocou para o oceano e não deve atingir diretamente a Região Sudeste. No entanto, a frente fria associada ao sistema avança sobre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, mantendo o alerta para rajadas intensas. Nos litorais paulista e fluminense, os ventos podem superar os 100 km/h, conforme autoridades de Defesa Civil.

Um ciclone-bomba ocorre quando uma área de baixa pressão atmosférica se intensifica rapidamente, processo conhecido como ciclogênese explosiva. A formação pode favorecer ventos intensos, chuvas fortes e mudanças bruscas de temperatura.

Danos no Rio Grande do Sul

A morte registrada durante a passagem do sistema ocorreu em Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Um motociclista de 33 anos morreu após ser atingido pela queda de uma árvore na RS-124.

Em Pedro Osório, no sul do estado, as aulas da rede municipal foram suspensas, assim como o transporte de estudantes para Pelotas. A medida foi adotada após a ocorrência de um tornado acompanhado por tempestade e queda de granizo.

Além das interrupções no fornecimento de energia, pelo menos 121 pessoas ficaram desabrigadas no estado.

Em Porto Alegre, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informou que a Estação de Tratamento de Água São João, responsável pelo atendimento de mais de 600 mil pessoas, ficou sem energia elétrica durante o temporal. Outras 12 estações de bombeamento de água tratada também foram afetadas.

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Como consequência, ao menos 45 bairros da capital registraram baixa pressão ou interrupção no abastecimento de água desde a noite de quinta-feira (6).

Segundo a Defesa Civil gaúcha, o ciclone já avançou e deixou de representar uma ameaça significativa para o Rio Grande do Sul nesta sexta-feira (7).

Ventos fortes atingem São Paulo

Em São Paulo, rajadas de vento provocaram a interrupção temporária das operações no Porto de Santos durante a manhã desta sexta-feira. Travessias de balsas na região também foram suspensas preventivamente e posteriormente retomadas.

Municípios do litoral paulista adotaram medidas preventivas. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Em Itanhaém, a suspensão ocorreu durante o período da manhã.

A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de rajadas mais intensas. Segundo a Defesa Civil paulista, características do relevo da Serra do Mar podem contribuir para intensificar os ventos em determinados pontos.

Rio de Janeiro entra em alerta

No Rio de Janeiro, a capital amanheceu nesta sexta-feira em Estágio 2 devido à ocorrência de ventos moderados a fortes durante a madrugada.

A Defesa Civil municipal emitiu um aviso às 5h05 recomendando que a população evite deslocamentos desnecessários. As aulas da rede municipal foram suspensas preventivamente, enquanto prefeitura e governo estadual recomendaram a antecipação do encerramento do expediente.

As autoridades também orientaram moradores a manter distância de árvores, estruturas metálicas, placas de publicidade e outros objetos que possam ser derrubados ou deslocados pelas rajadas.

O que é um ciclone-bomba?

A expressão “ciclone-bomba” é utilizada para descrever um ciclone extratropical que passa por uma intensificação muito rápida, caracterizada por uma queda acentuada da pressão atmosférica em um curto intervalo de tempo.

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Essa rápida intensificação pode resultar em ventos mais fortes e condições meteorológicas severas. O fenômeno está associado a grandes contrastes de temperatura e à dinâmica das correntes atmosféricas em níveis elevados.

Embora o ciclone responsável pelos danos no Sul esteja se afastando para o oceano, a frente fria ligada ao sistema continua influenciando as condições do tempo no Sudeste.