Jovem morre no Pará após consumir açaí contaminado por barbeiro
Morte de homem de 26 anos em Ananindeua levou à intensificação de fiscalizações e investigação de novos casos na Região Metropolitana de Belém
A morte de Ronald Maia da Silva, de 26 anos, vítima da doença de Chagas após consumir açaí contaminado, provocou alerta nas autoridades de saúde e intensificou ações de fiscalização na Região Metropolitana de Belém. O caso ocorreu no município de Ananindeua, no Pará, durante o período de fim de ano, e é tratado como suspeita de transmissão oral da doença, associada ao consumo do fruto contaminado por fezes do inseto barbeiro.
De acordo com a prefeitura de Ananindeua, até o momento há três casos confirmados da doença de Chagas em 2026 no município e outros sete seguem em investigação, aguardando resultados laboratoriais. Em resposta, equipes da Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Sanitária e da Vigilância Ambiental, realizaram vistorias em pontos de venda de açaí no bairro Cidade Nova 6.
Durante as inspeções, foram avaliadas as condições de higiene, manipulação, processamento e regularidade sanitária dos estabelecimentos. Como resultado, um ponto de venda foi interditado e outros foram notificados por comercializar o produto sem o selo sanitário “Açaí Bom que Só”, certificação que comprova o cumprimento de protocolos de higienização e do processo de branqueamento térmico, essencial para eliminar o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença.
Ronald Maia apresentou os primeiros sintomas no início de dezembro, incluindo febre, fraqueza e mal-estar. Ele buscou atendimento em unidades de saúde de Ananindeua e Belém, mas permaneceu por mais de 20 dias sem diagnóstico conclusivo. O quadro se agravou e levou à internação no Pronto-Socorro da Augusto Montenegro, em 27 de dezembro. Após sete dias em cuidados intensivos, o jovem morreu em 31 de dezembro. A certidão de óbito aponta a doença de Chagas como causa da morte.
Especialistas alertam que a forma oral da doença de Chagas, predominante na região amazônica, apresenta evolução mais agressiva do que a transmissão vetorial clássica. O quadro pode causar complicações graves, como inflamação do coração e do sistema nervoso, aumentando o risco de óbito quando não há diagnóstico e tratamento precoces.
A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará acompanha o caso e presta apoio técnico às vigilâncias municipais. Paralelamente, a Prefeitura de Belém anunciou a ampliação das ações de prevenção e fiscalização na cadeia produtiva do açaí, reforçando projetos que monitoram pontos de processamento e comercialização do produto.
As autoridades de saúde reforçam a importância de adquirir açaí apenas em locais regularizados, com selo sanitário visível, e orientam a população a procurar atendimento médico imediato diante de sintomas persistentes após o consumo do alimento.

