Maus Caminhos: um fantasma que ainda assombra Omar Aziz

Mesmo arquivada em relação ao senador, operação que atingiu integrantes de sua família continua sendo usada por adversários como uma arma política nas eleições

A Operação Maus Caminhos voltou a atravessar o caminho político do senador Omar Aziz (PSD). Desta vez, ela entrou em cena numa fala do governador Roberto Cidade (União Brasil) para responder às acusações sobre a compra de colchões e redes pelo Governo do Amazonas.

Após Omar levantar suspeitas sobre atas de registro de preços destinadas à aquisição dos produtos, Cidade anunciou o cancelamento do procedimento e afirmou que nenhum pagamento chegou a ser realizado. Na resposta, porém, o governador foi além da defesa administrativa e atingiu um dos pontos mais sensíveis da trajetória do senador.

“Meu governo não seguirá por ‘Maus Caminhos’. Aqui não haverá esquema, proteção nem tolerância com irregularidades”, declarou Cidade.

A frase não foi casual. Ao transformar o nome da operação em trocadilho, o governador devolveu a acusação de corrupção e levou o confronto para um terreno que, há anos, acompanha Omar nas disputas eleitorais.

A marca que ficou

Deflagrada em 2016, a Operação Maus Caminhos investigou o desvio de recursos públicos destinados à saúde do Amazonas. A apuração alcançou empresários, servidores, integrantes da alta cúpula do governo estadual e familiares de Omar.

Omar, entretanto, não foi denunciado pelo Ministério Público, não se tornou réu e não foi condenado. O procedimento investigativo que alcançou seu nome acabou arquivado por falta de elementos que justificassem seu prosseguimento.

Juridicamente, portanto, não há acusação formal contra o senador no caso. Politicamente, porém, o arquivamento não conseguiu apagar a marca deixada pela operação.

Um assunto que sempre retorna

A Maus Caminhos reaparece com frequência sempre que Omar disputa uma eleição ou assume protagonismo no cenário político. O nome da operação tornou-se uma espécie de palavra-chave utilizada pelos adversários para provocar o senador e deslocá-lo da ofensiva para a defensiva.

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Foi assim no lançamento da candidatura de Roberto Cidade, em julho. Na ocasião, o ex-governador Wilson Lima afirmou que o processo estava “adormecido na Justiça”, mas continuava “muito presente na mente das pessoas”.

Omar reagiu levando o caso à Justiça. Alegou que a declaração espalhava desinformação porque a investigação contra ele não estava adormecida, mas arquivada. Posteriormente, o senador desistiu da ação antes que o mérito fosse julgado.

A reação ajuda a revelar o tamanho do incômodo. Mesmo quando não é diretamente confrontado, Omar costuma se antecipar ao assunto.

Ao chegar ao primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas, promovido pela Band, o senador fez questão de avisar que estava disposto a falar sobre a operação.

“Estou aberto a discutir Maus Caminhos, Cidade Universitária. É meu papel. Não me acovardo perante situações, independentemente de quais sejam”, declarou.

Ninguém havia feito a pergunta. Omar, porém, já tinha a resposta preparada.

A escolha de Cidade

É nesse contexto que se deve compreender a frase de Roberto Cidade. Ao dizer que seu governo não seguirá por “maus caminhos”, o governador não estava apenas garantindo que a compra dos colchões seria cancelada e encaminhada aos órgãos de controle.

Cidade escolheu tocar diretamente na principal cicatriz política do adversário. Em vez de permanecer no banco dos acusados, tentou inverter os papéis e lembrar que Omar também carrega um assunto desconfortável quando o debate chega à corrupção.

A estratégia mostra que, arquivada nos tribunais em relação ao senador, a Maus Caminhos permanece aberta na política. Vira e mexe, alguém pronuncia seu nome. E, sempre que isso acontece, o fantasma volta a rondar Omar Aziz.

Arte: Gilmal

Fonte: BNC Amazonas