Passagem fica mais barata, mas David não detalha quem arca com o custo
A redução ocorre para empregadores e chama a atenção porque acontece a apenas 7 meses das Eleições
Manaus – Após dois aumentos na passagem em apenas cinco anos de gestão, o prefeito de Manaus, David Almeida, anunciou nesta quarta-feira (11), que o preço do vale-transporte vai cair de R$ 6,00 para R$ 5,00 a partir de março. A redução ocorre para empregadores que compram vale-transporte e repassam aos trabalhadores. Chama a atenção porque o benefício acontece a apenas 7 meses das eleições, em que Almeida deve vir candidato.
Em 2025, ao aumentar a passagem, David Almeida disse que o reajuste era inevitável e necessário para manter o sistema funcionando. Mas, um ano depois, o discurso mudou com o anúncio da redução, que não detalha se o subsídio público será ampliado para as empresas a fim de compensar a diferença, ou se vai forçar as empresas a absorverem o prejuízo.
De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), as informações só poderão ser esclarecidas após envio do ofício sobre os detalhes da nova tarifa pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).
Sob a gestão David, o transporte público vive uma das piores crises, com paralisações e estrutura precária. A mais recente aconteceu na tarde desta terça-feira (10), trabalhadores do transporte público cobraram o pagamento de benefícios que estão atrasados. Apenas no segundo semestre do ano passado também foram registradas quatro paralisações do sistema.
Segundo os trabalhadores, o pagamento dos salários deveria ter sido realizado até o quinto dia útil de fevereiro, o que não ocorreu. Os rodoviários apontam que a falta de pagamento se dar pelo atraso do Estado no repasse aos valores referentes ao custeio do transporte de estudantes da rede estadual de ensino.
Um levantamento do Núcleo Investigativo do Grupo Diário de Comunicação (GDC), no portal da transparência mostra que entre 2021 e 2025 a prefeitura repassou mais de R$ 2 bilhões às empresas e cooperativas do transporte. Somente em janeiro deste ano foram mais R$ 30 milhões.
O IMMU ainda não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.

