Presidente do Paraguai anuncia renúncia após denúncias envolvendo banco com milhões de clientes
Economista de 47 anos, eleito em 2023 pelo Partido Colorado, enfrenta acusações de conflito de interesses envolvendo o Ueno Bank e pressão política por um processo de impeachment
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, de 47 anos, teria anunciado sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política e financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição bancária com a qual manteve vínculos empresariais. A informação consta nos relatos apresentados, mas ainda precisa de confirmação oficial.
Segundo esses relatos, a crise teria se intensificado após uma intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição financeira, motivada por problemas de solvência. A situação teria provocado restrições ao acesso de clientes às contas bancárias, além de questionamentos sobre a administração de recursos públicos.
A repercussão também teria atingido o governo em razão da participação acionária anterior de Peña no grupo ligado ao banco. Parlamentares da oposição passaram a questionar possíveis conflitos de interesses e a atuação de órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro.
As informações apresentadas também mencionam a abertura de um processo de impeachment, manifestações populares e divergências dentro da base governista.
Quem é Santiago Peña, o presidente que anunciou a renúncia
Santiago Peña Palacios nasceu em 16 de novembro de 1978, em Assunção, capital paraguaia. Aos 47 anos, o economista construiu sua trajetória profissional em instituições financeiras e órgãos públicos antes de assumir a Presidência do país.
Formado em Economia pela Universidade Católica Nossa Senhora da Assunção, possui mestrado em Administração Pública pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos.
Ao longo da carreira, trabalhou no Banco Central do Paraguai e no Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington. Também foi ministro da Fazenda entre 2015 e 2017, durante o governo do ex-presidente Horacio Cartes.
Trajetória política e chegada à Presidência
Integrante da Associação Nacional Republicana, conhecida como Partido Colorado, Peña representa uma corrente política de direita, com posições conservadoras e orientação econômica favorável ao mercado.
Sua candidatura presidencial recebeu apoio de Horacio Cartes, uma das principais lideranças do partido.
Nas eleições de abril de 2023, Peña conquistou aproximadamente 43% dos votos e derrotou o oposicionista Efraín Alegre. Assumiu a Presidência em 15 de agosto daquele ano, ao lado do vice-presidente Pedro Alliana, para um mandato previsto até agosto de 2028.
Entenda a crise financeira envolvendo o Ueno Bank
A crise teve início após o Banco Central do Paraguai identificar problemas graves de solvência no Ueno Bank, instituição financeira que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes.
A intervenção deixou correntistas temporariamente sem acesso aos depósitos e provocou manifestações de pessoas preocupadas com a recuperação de suas economias.
O banco também administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores relacionados ao sistema previdenciário paraguaio.
As investigações apontaram suspeitas de irregularidades na concessão de empréstimos a empresas vinculadas aos proprietários da instituição.
O episódio provocou a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central e o avanço de investigações contra dirigentes e pessoas ligadas ao banco. O Ministério Público apresentou acusações contra 27 investigados.
Relação de Peña com o banco provocou questionamentos
Um dos principais pontos da crise envolve os vínculos empresariais anteriores de Santiago Peña com o grupo proprietário do Ueno Bank.
O presidente foi acionista do grupo até março de 2025, período em que já exercia a Presidência da República.
A oposição passou a questionar possíveis conflitos de interesses, a destinação de recursos públicos à instituição e a atuação dos órgãos reguladores.
Peña negou envolvimento em irregularidades e defendeu que as responsabilidades fossem apuradas pela Justiça.
Câmara aprova impeachment e renúncia fica pendente
A pressão política aumentou depois que 35 deputados apresentaram uma proposta de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana.
Nesta quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, com 78 votos, o prosseguimento da acusação contra o presidente.
Mesmo após Peña apresentar sua renúncia, a tramitação do impeachment continuou. A formalização de sua saída ficou pendente de deliberação do Congresso, enquanto o Senado passou a ser responsável pela análise da acusação.
O presidente afirmou que exercerá seu direito de defesa e colaborará com as investigações.
Quem poderá assumir a Presidência do Paraguai
Pelas regras constitucionais paraguaias, a sucessão presidencial cabe ao vice-presidente Pedro Alliana, caso a saída de Santiago Peña seja efetivada.
O sucessor deverá completar o mandato presidencial previsto até 15 de agosto de 2028.
Enquanto a crise política segue em discussão no Congresso, autoridades financeiras e judiciais trabalham para apurar as irregularidades envolvendo o Ueno Bank e definir os procedimentos de devolução dos recursos aos clientes prejudicados.

