Protestos na França terminam em confrontos, incêndios e centenas de detenções; veja vídeo

Manifestações iniciadas por estudantes ganharam adesão de trabalhadores e integrantes dos “coletes amarelos”; atos registraram barricadas em chamas, depredações e confrontos com policiais

Mundo – Manifestações realizadas neste sábado (17) em Paris e em outras cidades da França foram marcadas por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, incêndios em barricadas e depredações. Os protestos, inicialmente organizados para reivindicar melhorias na educação pública, passaram a reunir diferentes setores da população insatisfeitos com o aumento do custo de vida e a perda do poder de compra.

Segundo as informações divulgadas sobre os atos, pelo menos 272 pessoas foram detidas durante as mobilizações. Estudantes, trabalhadores e participantes do movimento dos “coletes amarelos”, conhecido pelas manifestações iniciadas em 2018, estiveram entre os grupos presentes nas ruas.

Protestos começaram com reivindicações na educação

A mobilização teve origem em manifestações de estudantes do ensino médio de bairros de baixa renda localizados na periferia norte de Paris. Os alunos reivindicavam a contratação de professores, melhorias na infraestrutura das escolas e investimentos na rede pública de ensino.

Nas semanas seguintes, as manifestações passaram a incorporar outras demandas sociais e econômicas, incluindo críticas à desigualdade, ao aumento dos preços e à administração dos recursos públicos.

A participação de integrantes dos “coletes amarelos” ampliou a mobilização, retomando reivindicações relacionadas ao poder de compra e às condições de vida da população francesa.

Confrontos e barricadas em chamas marcam manifestações

Em Paris, a polícia reforçou a segurança em pontos turísticos e áreas de grande circulação. A Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo tiveram restrições de acesso, enquanto agentes utilizaram gás lacrimogêneo durante confrontos com manifestantes.

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Também foram registrados bloqueios de vias, barricadas incendiadas, tentativas de saques e agressões contra profissionais da imprensa.

Fora da capital, autoridades contabilizaram aproximadamente 140 manifestações até o meio-dia, com participação estimada em 32,8 mil pessoas.

Em Marselha, a sede da prefeitura foi alvo de depredações, levando ao envio de reforços policiais. Autoridades francesas atribuíram parte dos episódios de violência a grupos classificados pelo governo como integrantes da chamada “ultraesquerda”.

Atuação policial provoca questionamentos

Os confrontos também provocaram discussões sobre os métodos utilizados pelas forças de segurança para controlar as manifestações.

Um dos episódios relatados envolveu um adolescente que perdeu uma das mãos após recolher uma granada de efeito moral durante os protestos.

O caso aumentou os questionamentos sobre a utilização desses equipamentos, que haviam sido suspensos anteriormente em determinadas operações durante manifestações estudantis.

Órgãos responsáveis pela fiscalização da atividade policial investigam pelo menos 24 denúncias de possíveis abusos cometidos por agentes de segurança.

Por outro lado, o governo francês informou que mais de 900 policiais ficaram feridos ao longo da onda de manifestações, número apresentado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu.

Crise econômica amplia pressão sobre governo Macron

As manifestações ocorrem em um momento de dificuldades políticas e econômicas para o presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um Parlamento fragmentado e pressões relacionadas às contas públicas.

As medidas destinadas à redução da dívida pública e ao controle dos gastos governamentais também provocam debates sobre seus impactos nos serviços públicos e na economia francesa.

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Entre os manifestantes, o aumento das despesas com alimentação, combustíveis e outros produtos essenciais aparece como uma das principais preocupações.

Uma estudante de 19 anos, identificada como Lola, afirmou que participa dos atos devido ao aumento do custo de vida e às preocupações com a atuação policial.

A continuidade das mobilizações coloca as reivindicações sociais e econômicas no centro do debate político francês, enquanto autoridades acompanham os desdobramentos dos confrontos e as investigações sobre os episódios de violência.