Vereador denuncia ao vivo ter recebido R$ 100 mil para vender voto em eleição da Câmara em Minas
Dinheiro foi exibido durante a sessão em Mercês; Polícia Militar apreendeu a quantia e investigações foram abertas pela Polícia Civil e Ministério Público
A sessão da Câmara Municipal de Mercês, na Zona da Mata mineira, terminou em escândalo político na noite de terça-feira (2) após o vereador Marcelio Estevam Teixeira, conhecido como Marcelo Moto Som (Mobiliza), denunciar ao vivo ter recebido R$ 100 mil para direcionar seu voto na eleição da Mesa Diretora. A acusação foi feita no plenário e transmitida pela própria Câmara, cujo vídeo viralizou nas redes sociais.
Durante a votação, Marcelio retirou de uma bolsa vários maços de dinheiro e afirmou que a quantia teria sido entregue por um empresário da cidade para que ele votasse no candidato indicado, o vereador José Ivanio de Oliveira (PSD). A situação levou à intervenção imediata da Polícia Militar, acionada para apreender o dinheiro apresentado pelo parlamentar.
A Polícia Civil de Mercês instaurou inquérito para apurar a suspeita de corrupção, sob responsabilidade do delegado Arthur Simões. O Ministério Público de Minas Gerais também requisitou a abertura de investigação. Segundo a defesa de Marcelio, representada pela advogada Leury Oliveira, o caso foi registrado na PM para “devida investigação”. O empresário apontado como responsável pela oferta, Calixto Domingos Neto, não quis se manifestar.

No Registro de Evento de Defesa Social (Reds), Marcelio relatou que vinha sendo “procurado e assediado” pelo empresário e por outras pessoas ao longo dos últimos dois meses. O repasse do dinheiro, segundo afirmou, teria ocorrido poucas horas antes da votação. O vereador disse ainda possuir vídeos e áudios que comprovariam a entrega da quantia, destinada, segundo ele, a “beneficiar determinados indivíduos para eventual assunção da Prefeitura Municipal”, caso o prefeito eleito não conseguisse reverter sua situação jurídica.
O empresário citado é dono de um posto de combustíveis que presta serviços à Prefeitura em gestões anteriores e na atual, o que eleva a gravidade das suspeitas. A eleição da Mesa Diretora ganhou relevância adicional porque o presidente eleito da Câmara deverá assumir interinamente a Prefeitura caso o prefeito eleito, Donizete Calixto (Mobiliza), que teve o registro indeferido, não consiga reverter a decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Mesmo após a denúncia, foram eleitos José Elizio Ribeiro Coelho (PSD) como presidente da Câmara e o próprio Marcelio Estevam como vice-presidente. A posse está marcada para 1º de janeiro de 2026. Se a pendência judicial no TSE persistir, José Elizio assumirá a Prefeitura interinamente e Marcelio ficará à frente da Câmara.
O processo de Donizete Calixto no TSE, previsto para julgamento no fim de novembro, foi adiado após pedido de vista do ministro André Mendonça. A defesa do prefeito eleito afirma que a análise deve ser retomada apenas em 2026. O TSE não comenta casos em tramitação.

