Entenda como suspeito realizou chacina dentro de casa em Manaus; 3 morreram

Uma das vítimas da chacina era o ex-sogro do suspeito, que o ajudava financeiramente na criação do neto autista

Manaus – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) detalhou, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (18), como aconteceu a chacina que deixou três mortos em uma casa no bairro São Jorge, na zona centro-oeste de Manaus. O principal suspeito do crime é Ezenilson Silva. O homem confessou o crime e alegou que a motivação seria conseguir dinheiro para quitar uma dívida de R$ 19 mil com agiotas. Uma das vítimas era o ex-sogro do suspeito, um idoso que ainda ajudava Ezenilson financeiramente na criação do neto, uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Segundo o delegado Ricardo Cunha, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) Ezenilson chegou ao local a manhã de segunda-feira (17) dirigindo uma motocicleta. O homem estacionou o veículo do outro lado da rua, entrou na casa e permaneceu no imóvel por cerca de duas horas.

As três pessoas mortas foram encontradas dentro da casa e foram identificadas como o pastor Francisco das Chagas, Isabela Coelho Moraes, que eram pai e filha, e o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Guilherme Pereira de Lima. A quarta vítima, Dilma Cilene Lima Sampaio, ficou ferida, mas sobreviveu.

O pastor e a filha moravam no segundo andar da casa. Já o professor residia no terceiro andar e sua irmã, Dilma Cilene, morava na parte do térreo do imóvel.

Durante a ação, o suspeito teria utilizado um martelo para atacar as vítimas. O pastor Francisco foi golpeado na cabeça. Os gritos acordaram a filha, que estava em um quarto próximo. Ao perceber a movimentação, ela foi verificar o que estava acontecendo e também acabou sendo atacada.

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O professor também ouviu os gritos e desceu para ajudar. Segundo a polícia, ele entrou em luta corporal com o suspeito, mas também foi morto.

Já Dilma Cilene, ao ouvir os gritos e a luta corporal, também subiu até o segundo andar para verificar a situação e foi golpeada. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, onde permanece internado em estado grave.

Ainda conforme a polícia, o suspeito não deixou imediatamente o imóvel porque procurava dinheiro e objetos de valor. Ele teria colocado uma máscara de proteção e levado um cofre, além de celulares das vítimas.

Depois de permanecer aproximadamente duas horas no local, Ezenilson deixou a casa por volta das 7h, levando objetos que, segundo a investigação, haviam sido furtados.

Como a polícia chegou ao suspeito

A investigação avançou depois que familiares foram interrogados. Durante as diligências, os policiais identificaram uma pessoa com características semelhantes às do suspeito, utilizando uma motocicleta e um capacete parecidos com os vistos relacionados ao crime.

Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi a bolsa transversal usada por Ezenilson durante o tempo que ficou na casa e que também estava com ele posteriormente.

Um dos celulares levados das vítimas foi socorrido. Os demais aparelhos, segundo a investigação, teriam sido descartados. A polícia também informou que o martelo utilizado nos ataques foi jogado em um igarapé.

Dívida teria motivado o crime

Durante o interrogatório, segundo o delegado Ricardo Cunha, Ezenilson teria confessado o crime e afirmado que precisava do dinheiro para pagar uma dívida de aproximadamente R$ 19 mil com agiotas. Conforme o relato apresentado pela polícia, ele já tinha sido decretado para quitar o valor naquele mesmo dia do crime.

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Francisco era ex-sogro do suspeito e ajudava financeiramente o neto, filho de Ezenilson, que é autista. Então, o suspeito se aproveitou da relação para pedir o dinheiro da dívida ao idoso.

Após ser identificado e localizado, Ezenilson foi preso em flagrante e deve responder a latrocínio e tentativa de latrocínio. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer todos os detalhes da ação e reunir as provas que serão encaminhadas à Justiça.