Janja derrota Silas Malafaia em ‘batalha’ sobre mulheres evangélicas, mostra pesquisa
Embate gerou mais de 5 milhões de postagens em dez horas e consolidou o apoio à primeira-dama
Estudo realizado pela Ativaweb DataLab mostra como repercutiu nas redes a batalha retórica travada pela primeira-dama Janja com o pastor Silas Malafaia, nesta semana.
Durante o 4º Encontro Nacional de Evangélicos do PT, Janja rebateu afirmações do pastor bolsonarista sobre a importância das lideranças evangélicas presentes no encontro, algo que revelaria falta de representatividade do petismo na igreja.
Em agosto do ano passado, Malafaia disse que as agendas de Janja não tinham “nenhuma mulher de expressão no mundo evangélico”. No evento com evangélicos, a primeira-dama rebateu: “Ele falou que eu estava conversando com mulheres insignificantes. Insignificante é ele. Porque toda mulher para mim é importante. Não importa se fiz uma reunião com duas, três, duzentas ou mil. O importante é que conversei. Ouvi elas”.
Analisando dados do Facebook, Instagram, X e TikTok, o levantamento identificou 5,3 milhões de menções ao duelo de Janja e Malafaia em apenas 10 horas, transformando o episódio em um dos temas políticos mais debatidos do ambiente digital brasileiro no período analisado. Nesse universo, 64,3% das postagens foram favoráveis à Janja, 23,9% de apoio a Malafaia e 11,8% foram neutras, revelando a presença ativa de grupos femininos e evangélicos progressistas na disputa de narrativas.

“O episódio demonstra uma mudança importante no comportamento digital envolvendo Janja. Historicamente, a primeira-dama aparecia como alvo prioritário de críticas. Neste caso, a narrativa conseguiu mobilizar grupos sociais que normalmente permanecem silenciosos. Isso não significa redução da rejeição. Mas demonstra capacidade crescente de ativação de uma base defensora. Em comunicação política, essa diferença é fundamental. Uma liderança pode conviver com rejeição elevada, desde que possua uma comunidade ativa disposta a defendê-la”, diz o estudo.
Mais do que um confronto entre duas figuras públicas, o caso revelou uma disputa de narrativas envolvendo religião, política, papel das mulheres e representatividade no espaço público.
“Normalmente temas envolvendo a primeira-dama geram repercussão relevante, mas raramente conseguem produzir uma corrente orgânica de defesa superior ao volume de críticas. Neste episódio observamos um comportamento diferente: a pauta ultrapassou a polarização tradicional e alcançou públicos moderados, mulheres e grupos religiosos não alinhados ao conservadorismo tradicional”, diz o estudo.
A análise da Ativaweb DataLab demonstra que o confronto entre Janja e Silas Malafaia produziu um dos movimentos digitais mais interessantes de apoio a Janja. “Os dados mostram que não estamos diante apenas de um embate entre Janja e Malafaia. Estamos observando uma disputa simbólica por valores, pertencimento e representação. Pela primeira vez em muito tempo, a primeira-dama não apenas reagiu a uma crítica: ela conseguiu mobilizar uma comunidade digital disposta a defendê-la. E no ambiente das redes sociais, mobilização vale mais do que alcance”, diz Alek Maracajá, fundador da Ativaweb DataLab.

