‘Me julgaram tanto’, desabafa irmão de Djidja após deixar sistema penitenciário

Ademar Cardoso deixou o sistema penitenciário neste sábado (24), após conseguir progressão para o regime semiaberto. Decisão considerou boa conduta e participação em atividades de ressocialização

Ademar Cardoso, irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, deixou o sistema penitenciário na manhã deste sábado (24), após a Justiça do Amazonas autorizar sua progressão do regime fechado para o semiaberto. Ao chegar ao salão Belle Femme, no bairro Parque Dez de Novembro, zona Centro-Sul de Manaus, ele comentou sobre o período em que esteve preso e reconheceu erros cometidos no passado.

“Eu tive que fazer tudo errado para aprender”, declarou Ademar durante entrevista concedida na tarde deste sábado.

Ao falar sobre a condenação, ele afirmou que enfrentou julgamentos durante o período de encarceramento e contestou a acusação de tráfico de drogas.

“Me julgaram tanto. Eu fiquei dois anos e meio levando tapa na cara. Em primeiro lugar: eu era um usuário e fui condenado por tráfico. Estou colhendo frutos das mentiras, de tudo o que eu fiz no passado, então, eu aceito minha prisão”, afirmou.

Justiça autorizou mudança de regime

A progressão de Ademar foi concedida na sexta-feira (23), após a Justiça reconhecer que ele havia cumprido os requisitos legais necessários para a mudança de regime prisional.

A decisão levou em consideração o comportamento do condenado durante o encarceramento, incluindo a participação em atividades de ressocialização, o desempenho escolar e profissional e a ausência de registros de faltas disciplinares.

Segundo o documento judicial, o cumprimento do tempo mínimo exigido, associado à boa conduta carcerária, fundamentou a concessão do benefício. O Ministério Público também apresentou parecer favorável à progressão.

A mãe de Ademar, Cleusimar Cardoso, já havia recebido o mesmo benefício. Condenada há mais de dez anos de prisão por tráfico e associação para o tráfico de drogas, ela deixou o regime fechado em 29 de setembro e passou a cumprir pena no semiaberto, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

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Condenações no Caso Djidja

Em 22 de julho de 2026, a juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante proferiu uma nova sentença relacionada ao Caso Djidja, condenando Cleusimar e Ademar Cardoso a penas superiores a dez anos de prisão.

Outras cinco pessoas também receberam condenações no processo.

A ex-gerente do salão Belle Femme, Verônica da Costa Seixas, foi condenada a dez anos de reclusão em regime fechado, mas obteve o direito de recorrer em liberdade.

O personal trainer Hatus Moraes Silveira recebeu pena de dez anos e cinco meses de prisão, em regime fechado, sem autorização para recorrer em liberdade.

José Máximo Silva de Oliveira, proprietário da clínica veterinária MaxVet, foi condenado a dez anos e seis meses de prisão. A sentença manteve sua prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade.

Bruno Roberto da Silva Lima, ex-namorado de Djidja, recebeu pena de oito anos e seis meses de reclusão, inicialmente em regime fechado, mas permanece em liberdade enquanto recorre à condenação.

Sávio Soares Pereira, funcionário da MaxVet, foi condenado a nove anos de prisão. Entre os sete condenados, ele foi o único a receber inicialmente o regime semiaberto, com desconto do período em que permaneceu preso preventivamente.

O processo integra as investigações relacionadas ao Caso Djidja, que apurou crimes envolvendo tráfico e associação para o tráfico de drogas em Manaus.