Rio Negro interrompe descida e permanece há quatro dias no mesmo nível em Manaus

Após aproximadamente quatro meses de descida, nível do rio apresenta estabilidade desde 31 de outubro; em Iquitos, no Peru, águas registram nova elevação

Manaus – O rio Negro completou quatro dias consecutivos sem apresentar redução em seu nível na capital amazonense. Conforme os registros divulgados até terça-feira (3), a cota permaneceu em 16,50 metros, indicando uma interrupção na sequência de descidas observada desde julho deste ano.

Os dados são da plataforma Porto de Manaus e da Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia (Proa), responsáveis pelo acompanhamento das condições de navegação e das variações dos níveis dos rios na região.

A marca de 16,50 metros foi registrada pela primeira vez na sexta-feira (30 de outubro). No sábado (31), o monitoramento apontou variação de zero centímetro, situação que permaneceu nos dias seguintes.

De acordo com a Proa, o processo de vazante teve início em 3 de julho, quando o rio Negro apresentava 28,49 metros. Desde então, o nível acumulou uma redução de 11,99 metros até alcançar a cota atual.

A ausência de novas quedas representa a primeira interrupção da vazante registrada em 2026, segundo o acompanhamento hidrológico.

Rio Negro encerra outubro acima de projeções para a seca

Em setembro, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresentou estimativas para o comportamento do rio Negro durante a estiagem, considerando diferentes cenários baseados em registros históricos.

Uma das projeções indicava que o rio poderia alcançar 13,37 metros caso apresentasse comportamento semelhante ao observado em 2023. Outro cenário, baseado na vazante de 2024, apontava a possibilidade de atingir 16,32 metros.

No cenário mais intenso, que considerava o padrão de descida registrado em 2015, a cota poderia ficar abaixo dos 13 metros até 31 de outubro.

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Entretanto, o nível observado em Manaus no dia 30 de outubro foi de 16,50 metros, ficando 18 centímetros acima da estimativa baseada no comportamento de 2024.

Quando as projeções foram elaboradas, em 31 de agosto, o rio Negro apresentava 24,19 metros na capital.

O SGB acompanha as condições dos rios amazônicos por meio do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas (SAH Amazonas). As estimativas consideram informações hidrológicas, registros históricos e condições climáticas, podendo ser atualizadas conforme a evolução das chuvas e dos níveis dos rios.

Nível permanece acima da mínima histórica de 2024

Apesar da redução acumulada nos últimos meses, a cota atual do rio Negro permanece acima da marca registrada durante a seca histórica de 2024.

Naquele ano, o rio atingiu 12,66 metros em 4 de outubro, estabelecendo o menor nível observado em 122 anos de monitoramento em Manaus.

A diferença entre a cota atual e a mínima histórica é de 3,84 metros.

Embora a estabilidade registrada nos últimos quatro dias indique uma interrupção temporária da descida, os dados ainda não permitem confirmar o início do período de enchente.

Para identificar uma mudança definitiva no comportamento do rio, será necessário acompanhar as medições dos próximos dias e a evolução das condições hidrológicas na Bacia Amazônica.

Rio Amazonas apresenta elevação em Iquitos, no Peru

Enquanto o rio Negro permanece estável em Manaus, o monitoramento realizado na região de Iquitos, no Peru, aponta uma elevação no nível das águas.

Na terça-feira (3), a medição chegou a 79,34 metros, após oscilações registradas anteriormente.

Durante o período de vazante, a região já havia apresentado um repiquete, fenômeno caracterizado pela subida temporária das águas, quando o nível alcançou 79,29 metros.

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O comportamento dos rios nas regiões mais próximas às cabeceiras é acompanhado por órgãos de monitoramento hidrológico, pois pode fornecer informações sobre possíveis mudanças no regime das águas ao longo da Bacia Amazônica.