Lula é reeleito presidente do Brasil e conquista quarto mandato após vencer Flávio Bolsonaro

Presidente conquistou 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do adversário, e terá Geraldo Alckmin novamente como vice-presidente; posse está prevista para janeiro de 2027

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato à frente da Presidência da República. Em uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o petista conquistou 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,78% dos votos válidos, enquanto o adversário recebeu 59,8 milhões, ou 48,22%.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou Lula matematicamente reeleito às 21h08, quando 97,69% das urnas haviam sido apuradas. Naquele momento, o presidente contabilizava 62,6 milhões de votos, contra 58,4 milhões de Flávio Bolsonaro.

A totalização foi concluída às 22h33. Com o resultado informado, Lula se torna o primeiro político brasileiro a conquistar quatro eleições diretas para a Presidência da República, após as vitórias de 2002, 2006 e 2022.

Disputa teve alternância na liderança durante a apuração

A contagem dos votos foi marcada por mudanças na liderança. Lula iniciou a apuração à frente e permaneceu na primeira colocação até as 19h46, quando Flávio Bolsonaro assumiu a dianteira.

O senador manteve a liderança por aproximadamente 38 minutos. Às 20h24, Lula voltou à primeira posição e permaneceu à frente até a conclusão da contagem.

O resultado representou uma mudança em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio Bolsonaro havia recebido 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula terminou com 45,16%.

A abstenção também apresentou redução entre os dois turnos, passando de 21,08% para 19,21%. Os votos brancos e nulos corresponderam a 3,24% no segundo turno.

Lula agradece votos e promete governar para todos

Após a confirmação do resultado, Lula agradeceu aos eleitores e afirmou que pretende conduzir o próximo mandato com respeito à Constituição Federal e às instituições democráticas.

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O presidente destacou a necessidade de manter uma relação institucional com o Congresso Nacional, independentemente das diferenças políticas.

Durante o pronunciamento, Lula declarou que não pretende exigir unidade nacional, mas defendeu a civilidade nas relações políticas e o respeito ao resultado eleitoral.

O petista também atribuiu sua vitória às manifestações de nacionalismo e compromisso democrático dos eleitores.

Prorrogação da votação provoca questionamentos

O segundo turno também foi marcado por uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação até as 19h em locais onde as urnas ainda estavam abertas.

A medida ocorreu após um pedido da campanha de Lula, que apontou problemas no transporte de eleitores em diferentes regiões brasileiras.

A decisão foi anunciada pouco depois das 17h e não determinou a reabertura das seções eleitorais que já haviam encerrado suas atividades.

O TSE chegou a iniciar a divulgação dos resultados, mas suspendeu temporariamente a apuração, retomada após as 19h.

A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado a ampliação do horário de votação, alegando dificuldades provocadas por chuvas em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

Após a derrota, o senador questionou a decisão judicial e anunciou que pretende solicitar a anulação do pleito. Segundo Flávio, a alteração do horário comprometeu as condições da disputa.

Quarto mandato amplia trajetória política de Lula

Natural de Garanhuns, em Pernambuco, Lula nasceu em 27 de outubro de 1945. Ainda criança, mudou-se com a família para o estado de São Paulo, onde iniciou sua trajetória profissional na indústria metalúrgica.

Formado como torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), tornou-se uma das principais lideranças sindicais do ABC Paulista durante a década de 1970.

Entre 1975 e 1980, presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Também participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

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Lula exerceu mandato de deputado federal constituinte entre 1987 e 1991. Antes de conquistar a Presidência em 2002, disputou o cargo em 1989, 1994 e 1998.

Reeleito em 2006, retornou ao Palácio do Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.

Durante seus governos, foram implementados programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Universidade para Todos (Prouni), Farmácia Popular e Luz para Todos, além de iniciativas de investimento em infraestrutura.

No terceiro mandato, a administração federal também lançou o Pé-de-Meia, voltado à permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio público, e o Desenrola Brasil, destinado à renegociação de dívidas.

Geraldo Alckmin permanece na Vice-Presidência

O médico Geraldo Alckmin (PSB) continuará como vice-presidente da República na chapa liderada por Lula.

Nascido em Pindamonhangaba, no interior paulista, em 7 de novembro de 1952, Alckmin iniciou sua trajetória política como vereador em 1973.

Posteriormente, foi prefeito de sua cidade natal, deputado estadual, deputado federal e governador de São Paulo.

Alckmin disputou a Presidência da República em 2006 e 2018. Em 2022, deixou o PSDB e ingressou no PSB para integrar a chapa presidencial de Lula.

Durante o terceiro mandato do petista, acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços até abril de 2026.

Com a reeleição da chapa, Lula e Alckmin deverão permanecer no comando do Executivo federal durante o período de 2027 a 2030.